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Reforma Tributária exige revisão de preços, margens e fluxo de caixa das empresas

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Publicado em 09/09/2026

Encontro reuniu empresários, gestores, profissionais e acadêmicos para discutir como as mudanças no sistema tributário podem afetar diretamente os resultados dos negócios

A Reforma Tributária não representa apenas uma mudança na forma de calcular e recolher impostos. Para as empresas, seus efeitos chegam a áreas diretamente relacionadas ao resultado do negócio, como formação de preços, margem de contribuição, capital de giro, fluxo de caixa, relacionamento com fornecedores e processos de venda.

Esse foi o foco do encontro “Como maximizar o resultado da sua empresa: A Reforma Tributária e os impactos no Pricing e no Fluxo de Caixa”, realizado pela Faculdade FISUL, na terça-feira, dia 8. A atividade contou com a participação do Dr. Fabiano Coelho e de Rudimar Pascoal, que apresentaram uma abordagem prática sobre os impactos da transição tributária na gestão empresarial.

A discussão partiu de uma questão central: como uma mudança na estrutura dos tributos sobre o consumo pode alterar o preço de venda, a margem obtida em cada operação e o dinheiro efetivamente disponível no caixa da empresa?

O impacto da Reforma Tributária vai além do imposto

Durante o encontro, foi destacado que a transição para o novo modelo tributário exigirá das empresas uma análise integrada entre as áreas tributária, financeira, contábil e comercial.

A mudança na estrutura dos tributos sobre o consumo, com a introdução do IBS e da CBS, modifica a dinâmica de créditos e débitos tributários e exige atenção às operações realizadas pela empresa. O material apresentado também destacou impactos sobre documentos fiscais, sistemas, fornecedores, precificação e gestão de créditos. 

Na prática, isso significa que decisões relacionadas ao preço de venda não poderão ser tomadas olhando apenas para a alíquota do imposto. Será necessário avaliar quanto a operação gera de crédito, qual é o custo efetivo da aquisição, qual margem permanece e como o novo modelo interfere no momento em que o dinheiro entra e sai do caixa.

Preços e margens: repassar ou absorver o impacto?

Um dos principais pontos abordados foi o impacto da Reforma Tributária na formação de preços.

Os exemplos apresentados durante a palestra demonstraram que a empresa poderá enfrentar cenários diferentes conforme consiga ou não repassar o aumento da carga tributária ao consumidor.

Em uma das simulações, considerando o repasse do impacto tributário, a margem de contribuição praticamente se mantém. Já no cenário em que a empresa mantém o preço final ao consumidor, a margem de contribuição apresentada cai de 45,55 para 42,28, representando uma perda de 3,27 pontos. 

A discussão mostra por que a precificação precisará ser revista. Absorver o impacto tributário pode preservar a competitividade no curto prazo, mas reduzir a rentabilidade da operação. Repassar integralmente o aumento pode proteger a margem, mas também afetar preço, demanda e posicionamento diante da concorrência.

Por isso, a Reforma Tributária coloca o pricing no centro das decisões estratégicas das empresas.

O efeito também aparece no fluxo de caixa

Outro ponto de atenção apresentado foi a diferença entre resultado econômico e disponibilidade financeira.

A nova dinâmica de créditos tributários, pagamentos e recebimentos pode alterar o momento em que os recursos entram e saem da empresa. Uma operação pode continuar apresentando margem, mas exigir maior necessidade de capital de giro durante determinado período.

Em uma simulação apresentada no encontro, a diferença de caixa no segundo mês chegou a 6,95, equivalente a 7,6% do preço faturado, evidenciando como a mudança na dinâmica dos pagamentos pode gerar pressão financeira mesmo quando o resultado acumulado permanece positivo. 

Por isso, entre os pontos de atenção destacados estiveram a revisão do capital de giro e das projeções financeiras, além da análise dos prazos negociados com clientes e fornecedores e do planejamento de estoques. 

Fornecedores também entram na equação

Outro aspecto relevante é que o regime tributário adotado pelos fornecedores poderá influenciar os créditos aproveitados pela empresa.

O encontro chamou atenção para a necessidade de mapear fornecedores, especialmente aqueles enquadrados no Simples Nacional, e analisar como suas escolhas e condições tributárias podem repercutir na cadeia de créditos de IBS e CBS. 

Essa análise amplia a discussão: a Reforma Tributária não deve ser avaliada apenas dentro da própria empresa, mas também considerando toda a cadeia de fornecedores e clientes.

Sistemas e processos também precisarão mudar

A transformação tributária terá reflexos operacionais importantes.

Entre os pontos apresentados estão a ampliação das informações nos documentos fiscais, novos campos e classificações, necessidade de atualização dos sistemas ERP, maior detalhamento dos cadastros, integração com sistemas de pagamento, treinamento das equipes e revisão dos processos de venda e faturamento. 

Isso significa que a preparação não deve ficar restrita ao departamento fiscal. Equipes financeiras, contábeis, comerciais, compras, tecnologia e gestão também precisarão compreender os impactos da nova estrutura.

O que as empresas podem começar a fazer

A palestra reforçou que 2026 deve ser tratado como um período importante de preparação.

Entre as recomendações apresentadas estão a revisão dos sistemas, realização de simulações de pricing, revisão do fluxo de caixa, capacitação das equipes, análise do regime tributário e acompanhamento dos créditos gerados pelos fornecedores. 

Também foram destacados cuidados com a classificação fiscal das operações, cadastros, compliance dos fornecedores e acompanhamento dos créditos tributários, considerando seus possíveis reflexos financeiros e na precificação. 

Uma mudança que exige decisões antecipadas

Mais do que compreender quais tributos serão substituídos, o desafio para as empresas está em entender como a nova estrutura poderá alterar a rentabilidade de cada produto, serviço ou operação.

A Reforma Tributária pode afetar simultaneamente preço, margem, capital de giro e fluxo de caixa. Por isso, empresas que anteciparem cenários, simularem impactos e revisarem seus processos terão melhores condições para tomar decisões durante o período de transição.

O encontro promovido pela FISUL reforçou justamente essa perspectiva: preparar-se para a mudança não é apenas uma questão tributária, mas uma necessidade de gestão e estratégia empresarial.

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